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Cuidados com o manejo e aplicação de mancozebe


Cuidados com o manejo e aplicação de mancozebe

Fungicidas são produtos fitossanitários utilizados para o controle de fungos patogênicos em culturas, no entanto é importante que a aplicação seja bem feita, a fim de ter um bom controle de doenças e evitar o desperdício de produtos.

Um dos maiores problemas na aplicação de fungicidas é relacionado com a solubilidade dos princípios ativos, principalmente quando se trata de fungicidas multissítios, que são aqueles capazes de inibir mais de um processo nas células dos fungos. Esses produtos apresentam baixa solubilidade em água e um dos principais produtos utilizados que se enquadram nessa classificação é o mancozebe, utilizado principalmente para controle da ferrugem asiática da soja. A solubilidade (ppm) em água a 20 ºC do mancozebe é de apenas 6,2 (Degaro, 2017), ou seja, é um produto que pode ser considerado como insolúvel. Sendo assim, são necessários alguns cuidados para que não haja entupimento de filtros e bicos (pontas), aquecimento do selo da bomba ou rompimento de alguma estrutura da bomba, já que todas as partículas do produto devem ser solubilizadas em água para que esses problemas não ocorram.


Como tornar bem-sucedida a aplicação de Mancozebe?

O mancozebe é vendido como um produto sólido, nas formulações WG (grânulos dispersíveis) e WP (pó molhável). Abaixo elencamos estratégias utilizadas para uma boa aplicação do produto, sem haver formação de grumos que provocam entupimento:

  • Adjuvantes tensoativos: uma das estratégias utilizadas para que não haja a formação de grumos é a utilização de adjuvantes tensoativos, que irão quebrar a tensão superficial da água, permitindo que haja um molhamento maior das partículas do mancozebe. No entanto, segundo o engenheiro agrônomo Marcelo G. Madalosso, professor e pesquisador na Universidade Regional Integrada, é muito importante que se misture o adjuvante à água (com aproximadamente metade do tanque) antes do mancozebe, e que a mistura de mancozebe à água + adjuvante deve ser feita de forma lenta, a fim de que a água possa “molhar” bem todas as partículas de mancozebe. Se o fungicida for colocado muito rapidamente, a água não irá penetrar em todas as partículas do mancozebe. 

  • Agitação: Um dos segredos para uma boa homogeneização das partículas de mancozebe é uma boa agitação, que deve ser constante desde o momento da entrada de água no tanque até o final da aplicação do produto.

  • Teste de pré-mistura: Além do mancozebe, geralmente são utilizados uma gama de produtos junto ao tanque, portanto, recomenda-se fazer um teste de pré-mistura para verificar a compatibilidade física desses produtos, além de seguir as recomendações dos fabricantes.

Ex: Em um recipiente transparente e inerte (de preferência vidro, ou até mesmo PET), adicione 1L de água e adicione a mesma proporção dos produtos a serem misturados ao tanque, na mesma ordem de mistura que irá adicionar ao tanque. Agite bem a solução e observe para verificar se não houve decantação dos produtos, formação de precipitados, formação de grumos, aquecimento ou separação de fases. Em caso de algum sinal de incompatibilidade física. Se esses problemas ocorreram imediatamente, recomenda-se alterar a mistura e aplicar separadamente aqueles produtos que venham a causar o problema. A decantação entre 5 a 10 minutos do mancozebe pode ser esperada, pois o mesmo é de difícil diluição, fator que reforça a necessidade de agitação contínua da calda. Para mais informações sobre misturas, visite nosso post sobre incompatibilidade de misturas.

  • Pré-mistura: Conforme indicado nas bulas do produto, é ideal que se faça uma pré-mistura do mancozebe no momento do abastecimento do tanque, adicionando a quantidade recomendada do produto em um recipiente com água a parte para se obter uma pré-diluição, para então adicionar ao tanque de pulverização de maneira gradual, diluindo com o restante da calda. Na maioria dos casos, quando formulado em WP (Pó-molhável), é recomendado a diluição na pré-mistura na proporção de 1-2 (produto-água). 

  • Temperatura da calda: Uma das formas de reduzir a tensão superficial da água é aumentando a temperatura dela, pois isso promove um afrouxamento das pontes de hidrogênio entre as moléculas de água, reduzindo a tensão superficial. Conforme Hansen (2007), o aquecimento da água auxilia na solubilização de solutos pouco solúveis, como o mancozebe. No entanto, aqui deve-se ter o cuidado para não usar temperaturas muito elevadas, pois podem prejudicar a eficácia do produto (retarda a absorção). Segundo Boff, et al. 2019, a temperatura da calda não deve passar de 40 ºC. Portanto utilizar água que é extraída diretamente de um poço, tende a ter uma solubilidade menor em comparação com uma água que ficou armazenada em um tanque exposto ao sol, tendo essa maior facilidade em dissolver o mancozebe.

  • Limpeza de tanque: Após finalizadas as aplicações, recomenda-se a limpeza minuciosa do tanque de pulverização e linhas de calda com produto específico para a limpeza de tanque, pois muitas vezes, dias depois, utilizando o pulverizador com outros produtos, é possível notar a presença de precipitados de mancozebe que estavam grudados na estrutura do tanque, se desprendendo e gerando problemas de entupimento de filtros e pontas. Converse com seu fornecedor sobre o produto mais indicado, e qual o procedimento correto da limpeza. De forma geral mistura-se o detergente com água limpa junto ao tanque, mantém-se a agitação ligada por um tempo, posteriormente deixa-se esse produto em repouso no tanque por algumas horas e por fim elimina-se o mesmo pelas pontas das barras. Importante retirar essa água com detergente pelos pontos de limpeza dos ramais e não pelos bicos, pois essa água com produto irá carregar consigo muitos resíduos que irão desprender do tanque. 


    Referências

    COSTA, L.L; POLANCZYK, R.A. Tecnologia de aplicação de caldas fitossanitárias. Funep, Jaboticabal, SP. 2019;

    HANSEN, C. M. Hansen solubility parameter - a user’s handbook. 2. ed. Boca Raton: CRC Press, 2007. 

    BOFF, J.S. Water temperatures and the preparation of mancozeb. PERSPECTIVA, Erechim. v. 43, n.163, p. 99-106, setembro/2019

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